Insuficiência cardíaca em cães e gatos: 7 sinais de alerta que não são “coisa da idade”

Estetoscópio no tórax de um cão durante o exame cardiovascular

Seu cão anda cansando no meio do passeio. Tosse um pouco à noite. Respira mais rápido quando está dormindo. Cada coisa, sozinha, parece pequena, e é fácil colocar tudo na conta da idade.

Só que o coração costuma avisar antes de falhar. O problema é que os avisos se parecem com coisas do dia a dia. Neste texto você vai ver quais sinais observar em cães e em gatos, quais deles pedem atendimento na hora e o que dá para fazer hoje mesmo, em casa.

Na minha adolescência a gente teve o Lucky, um poodle. De uma hora pra outra ele começou com cansaço no passeio, tosse e roxidão de língua. Ele partiu cedo, com 9 anos. Escrevi este texto para você reconhecer esses sinais antes.

O que é insuficiência cardíaca em cães e gatos

Insuficiência cardíaca é quando o coração não consegue mais bombear o sangue do jeito que o corpo precisa. Com isso, líquido começa a se acumular onde não devia: nos pulmões, na barriga ou em volta dos pulmões.

Vale separar duas coisas:

  • Ter uma doença do coração (por exemplo, um sopro descoberto num check-up). Muitos pets vivem bem por bastante tempo nessa fase, sem sintoma nenhum.
  • Estar em insuficiência cardíaca, que é quando a doença avançou a ponto de o corpo sentir.

O acompanhamento com a cardiologia veterinária existe justamente para olhar a primeira fase com calma e se preparar antes da segunda.

As causas mudam de espécie para espécie:

  • No cão, a mais comum é o problema na válvula mitral, uma válvula do coração. Aparece mais em cães pequenos e mais velhos, como poodle, shih tzu, yorkshire, maltês, pinscher e cavalier king charles.
  • No gato, a mais comum é a cardiomiopatia hipertrófica: o músculo do coração fica grosso demais. Maine coon, ragdoll e persa têm mais predisposição, mas ela aparece em gato sem raça também.

Sinais de insuficiência cardíaca em cães: os 7 que merecem atenção

1. Respiração rápida dormindo

É o sinal mais útil, porque você consegue medir em casa (o passo a passo está mais abaixo). Com o cão dormindo tranquilo, a respiração deve ser calma e regular. Se ela está mais rápida do que costumava ser, ou se a barriga “puxa” o ar com esforço, fale com o veterinário.

2. Tosse, principalmente à noite ou ao deitar

Nem toda tosse é do coração, mas a tosse que aparece à noite ou quando o cão se deita merece investigação. Se esse é o seu caso, leia também Cachorro tossindo à noite: quando pode ser sinal de problema cardíaco.

3. Cansaço fácil

O passeio ficou mais curto. Ele para no meio do caminho, senta, não quer subir a escada. A “preguiça” nova, que antes não existia, é um recado.

4. Barriga inchada

O acúmulo de líquido na barriga pode deixar o abdômen volumoso, às vezes com a coluna e as costelas mais aparentes. Barriga que cresce sem o cão ter engordado precisa ser avaliada.

5. Desmaio ou fraqueza de repente

O cão cai, fica mole por alguns segundos e depois volta como se nada tivesse acontecido. Pode ser problema de ritmo do coração. Anote quando aconteceu e o que ele estava fazendo, e, se der, filme.

6. Gengiva ou língua arroxeada ou muito pálida

Esse sinal mostra que o sangue não está levando oxigênio suficiente. É emergência.

7. Perda de apetite e de peso

Come menos, emagrece e perde músculo, sem outra explicação. Isso costuma aparecer quando a doença já está mais avançada. Por isso vale não esperar chegar nele.

Tosse de cachorro idoso é do coração?

Às vezes é, às vezes não. A tosse do cão idoso pode vir do coração, da traqueia, dos brônquios ou do pulmão. Muitas vezes há mais de uma coisa ao mesmo tempo. A frase “é tosse de cachorro velho” é justamente a que mais atrasa o diagnóstico.

Cansaço de cão idoso não é coisa da idade até que se prove o contrário. Quem separa uma causa da outra é o exame: a ausculta, o ecocardiograma e, quando o veterinário pede, o raio-x do tórax.

Insuficiência cardíaca em gatos: sintomas mais discretos

Gato preto e branco calmo durante a ausculta cardíaca

Gato esconde doença muito bem. Por isso, em gatos, os sinais costumam ser mais sutis:

  • respiração rápida ou com esforço, inclusive em repouso;
  • respirar de boca aberta, que em gato é sempre emergência;
  • esconder-se mais, ficar quieto, comer menos;
  • perda súbita de movimento das patas de trás, com dor e choro. Pode ser um coágulo que sai do coração e trava a circulação (tromboembolismo). É emergência.

No gato é diferente: gato com problema no coração quase nunca tosse. Quando um gato tosse, eu penso primeiro em pulmão e brônquio. No gato, o aviso do coração está na respiração.

Um sopro no coração do gato merece investigação mesmo quando ele parece bem. É comum a doença ser descoberta assim: no check-up, antes de uma anestesia, sem nenhum sintoma em casa.

Cachorro com problema no coração: quando é emergência

Procure na hora o pronto atendimento veterinário mais perto se o seu pet tiver:

  • respiração difícil, com esforço ou de boca aberta (no gato, sempre);
  • gengiva ou língua roxa, azulada ou muito branca;
  • desmaio;
  • no gato, paralisia súbita das patas de trás com dor;
  • inquietação, sem conseguir deitar, esticando o pescoço para respirar.

Não espere a consulta de rotina nem a resposta de mensagem. Primeiro o atendimento; depois, a investigação com calma.

Respiração rápida dormindo: como contar em casa

Esse é o sinal que você pode acompanhar sozinho, e ajuda muito quem cuida do coração do seu pet.

  1. Espere o pet estar dormindo tranquilo, não sonhando nem logo depois de brincar.
  2. Olhe o peito ou a barriga. Cada vez que ele sobe e desce conta como 1.
  3. Conte por 30 segundos e multiplique por 2. Esse é o número de respirações por minuto.
  4. Anote o número, o dia e a hora. Faça isso por alguns dias.

Na maioria dos cães e gatos, dormindo, o esperado é até 30 respirações por minuto. Passou de 30 em mais de uma contagem? Avise o veterinário que acompanha o seu pet. Se o seu pet já tem doença do coração, ele pode te dar um número próprio. Leve as anotações para a consulta.

Referência: Keene BW et al. ACVIM consensus guidelines for the diagnosis and treatment of myxomatous mitral valve disease in dogs. J Vet Intern Med. 2019;33(3):1127–1140.

Como a cardiologia veterinária investiga

Cão recebendo eletrocardiograma com eletrodos coloridos

Quando há suspeita de problema no coração, a avaliação junta a conversa com você, o exame físico e alguns exames. Cada um responde uma pergunta diferente:

  • Ecocardiograma: o ultrassom do coração. Mostra o tamanho das câmaras, as válvulas e a força do bombeamento.
  • Eletrocardiograma: mostra o ritmo, ou seja, se o coração bate regular, rápido ou devagar demais.
  • Holter 24 horas: grava o ritmo durante um dia inteiro em casa. Ajuda nos desmaios que vêm e vão.
  • Pressão arterial: a pressão alta costuma não dar sinal e pode pesar sobre o coração, principalmente no pet idoso.
  • Raio-x do tórax e exames de sangue: quando o veterinário pede, ajudam a ver os pulmões e o resto do organismo.

Nem todo pet precisa de todos. Quem decide o que faz sentido é a avaliação.

O que você pode fazer hoje

  • Conte a respiração do seu pet dormindo por três dias e anote.
  • Repare no passeio: ele cansa antes do que cansava?
  • Se ele já tem sopro ou doença do coração, não deixe o retorno para “quando piorar”. O melhor momento de olhar o coração é antes do sintoma.

Tempo é tudo. Com o coração, cuidar cedo é o que garante mais tempo bom ao lado de quem a gente ama.

Cardiologia veterinária em São José dos Campos e região

Atendo cardiologia veterinária para cães e gatos em São José dos Campos e região, com consulta, ecocardiograma, eletrocardiograma, Holter e pressão arterial. Veja os locais em Onde atendo. Se você já tem exames e quer entender o que eles dizem, também há teleconsulta.

Este texto é informativo e não substitui a consulta. Não use remédio por conta própria: diagnóstico e tratamento só com avaliação veterinária.

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